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Testemunho da Ir. Stella

  • há 11 minutos
  • 11 min de leitura

"CONTA O NÚMERO DAS ESTRELAS

E CHAMA CADA UMA PELO SEU NOME". (SAL 146,4)



Paz e Bem a todos, sou a Irmã Stella, tenho 23 anos e sou de Gioiosa Jonica (RC).

Procurarei, com a ajuda do Espírito Santo e da minha boa vontade, ser clara e breve ao expor o meu testemunho, na esperança de poder satisfazer, ao menos em parte, a legítima curiosidade de muitas meninas e rapazes que se perguntam o porquê de uma escolha tão profunda e radical como a minha.


Essa é uma pergunta que eu também me fiz há cerca de 8 meses, quando, pela primeira vez, conheci pessoalmente os Pequenos Frades e Irmãs de Jesus e Maria. Jovens e muito jovens que, no mundo, poderiam ter continuado a fazer tudo aquilo que já faziam, alcançando plenamente os seus objetivos, mas que preferiram responder ao chamado de Deus.


Um pouco como Maria, quando, depois de receber o anúncio, disse: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra". (Lc 1,26)


AGORA CONTAREI, EM LINHAS GERAIS, QUEM EU ERA ANTES...

De nome, Rosamaria, eu era (e ainda sou) uma jovem alegre, que gosta de sorrir e de fazer os outros se sentirem bem. Fui a filha que sempre procurou se virar sozinha, para não pesar sobre os ombros dos meus pais, que nunca me deixaram faltar nada, pelo contrário... Eles me sustentavam financeiramente nos estudos, no aniversário me deram um carro, e a disponibilidade financeira deles (dentro das suas possibilidades) estava sempre presente.


Embora, às vezes, na minha família nem tudo fossem flores, como acredito que aconteça em todas as famílias do mundo, e os desentendimentos nunca faltassem, com a graça da oração que o Senhor suscitava no íntimo do meu coração, as coisas depois melhoravam.


Fui aquele tipo de namorada que desejava passar a sua lua de mel na África, ajudando crianças doentes. Era a amiga que, de coração, dizia frequentemente: “Longe de vocês eu não conseguiria ficar... Amo vocês de verdade, por vocês eu daria até a minha vida...”

É claro que, naquela época, eu jamais teria imaginado que o Senhor me levaria tão a sério, como vocês entenderão mais adiante. Fui a colega que, no seu trabalho, procurava colocar todo o seu empenho e realizá-lo com seriedade e dedicação.


No fim das contas, a minha vida antes não era nada mal… (só que eu tinha a estranha sensação de estar sempre pela metade, de não me sentir plenamente realizada, de nunca fazer o suficiente, apesar de me esforçar muito. Tudo isso me angustiava, e eu não conseguia deixar de me perguntar por que isso acontecia…). E, no entanto, eu tinha um trabalho que me dava muitas satisfações, trabalho este que abrangia os meus estudos de operadora sócio-assistencial da infância e as minhas aspirações futuras de trabalhar no campo social, ao lado de pessoas altamente qualificadas no setor sociocultural. Pessoas eticamente corretas, como eu sempre havia procurado humanamente. Esse trabalho me oferecia a oportunidade de conhecer jovens de toda a Europa e também de outros lugares, continuando a viajar um pouco por toda parte, divertir-me, conhecer lugares novos, enriquecer-me culturalmente e fazer sempre novas experiências…


No trabalho, porém, eu almejava cargos mais elevados, não certamente por soberba (e quem me conheceu sabe muito bem disso), mas porque sentia no coração que, quanto maior fosse a minha “fama” no ambiente de trabalho, muito mais eu poderia concretizar o sonho que tinha no coração de querer ajudar aqueles que se encontravam em dificuldade. Eu desejava dar um sentido à vida daqueles que já não tinham nada a que se agarrar e em que esperar, mas não somente em termos materiais. Porém, nem eu mesma compreendia bem o que fazer e como fazer para conseguir isso. Até que conheci Frei Volantino (o iniciador dos Pequenos Frades e Irmãs de Jesus e Maria), graças a quem compreenderei mais tarde que é necessário não somente o auxílio material, mas também e sobretudo o espiritual, como diz também o Papa Bento XVI: "O fato social e o Evangelho são inseparáveis entre si; onde levamos aos homens somente conhecimento, habilidades, capacidades técnicas e instrumentos, aí levamos muito pouco" (B. XVI, O.R. 11/09/2006). Retomando o breve discurso sobre o meu passado, portanto, eu desejava dar aos outros aquela paz que eu mesma buscava!  Mas era claro que as minhas muitas ocupações mundanas me afastavam de compreender que a verdadeira paz é, e se encontra somente em Jesus Cristo (cf. Jo 14, 27), como de fato está escrito: “Grande paz (ó Senhor) aos que amam a tua lei” (Sl 118,165). De alguma forma, eu esperava — dentro das minhas possibilidades — mudar um pouco as coisas, fazendo a diferença. Às vezes, a segurança certamente não me faltava. Outras vezes, ela faltava, e o peso da sua ausência era esmagador. E isso porque não era propriamente a cruz que o Senhor queria para mim, já que Jesus diz: "O Meu jugo é suave e meu fardo é leve" (Mt 11,30).  Mas, por outro lado — humanamente falando — não deveria ser assim. Com efeito, além de um bom trabalho, eu tinha a sorte de estar ao lado de uma pessoa especial. Um rapaz bonito, bem encaminhado profissionalmente, gentil e atencioso, que nunca me fez “faltar quase nada”… Ele tinha, de fato, inúmeras atenções comigo: como o chocolate de que eu gostava, longas viagens de moto (que era… uma grande paixão minha), fins de semana na neve para esquiar, férias de sonho pelo Danúbio, hospedando-nos em diversos hotéis prestigiosos, e eu poderia continuar contando a vocês quanto afeto recebi no passado. Enfim, de alguma forma — era como se eu já tivesse encontrado o príncipe encantado. Até que, porém, conheci Aquele que é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus!, o único PRÍNCIPE ENCANTADO que conquista os ♥♥♥♥♥ (corações) das almas verdadeiramente apaixonadas: isto é, JESUS! E, portanto, em relação àqueles que eram os meus projetos passados, aconteceu aquilo que está escrito no Santo Livro dos Provérbios, ou seja: «Ao homem pertencem os projetos da mente, mas do Senhor vem a resposta». (Pr 16,1)


DEPOIS DE TER CONTADO A VOCÊS O QUE EU FAZIA E COMO ERA A MINHA VIDA ANTES DE ENTRAR NA COMUNIDADE, AGORA VOU CONTAR, BREVEMENTE, COMO CONHECI OS FRADES POBRES DE JESUS E MARIA


Já passou cerca de um ano desde que tive o encontro providencial com os Pequenos Frades de Jesus e Maria. Lembro-me de que, naquela manhã, minha mãe vinha de Rimini para passar alguns dias conosco, na Calábria. Quando recebi a sua ligação, ela me avisou que o trem em que viajava tinha sofrido uma avaria repentina e que, por isso, desceria duas estações depois da habitual, precisamente em Locri.


Fui buscar minha mãe e, no caminho de volta, decidi seguir por uma estrada diferente da que costumava fazer. Assim que terminei a curva que dá acesso à rodovia, vi diante dos meus olhos dois fradezinhos da comunidade dos Pequenos Frades e Irmãs de Jesus e Maria (cf. Gn 32,2), que estavam pedindo carona. Mas outra pessoa já havia parado para dar-lhes uma carona, e eu não tinha outra coisa a fazer senão continuar e ir embora. Enquanto isso, eu não conseguia deixar de dizer à minha mãe o quanto tinha gostado de conhecê-los e, enquanto dizia isso, sentia dentro do coração uma voz que me sugeria: “Vira, vira, volta para trás…”. Eu sabia que, se não o fizesse, não ficaria em paz com a minha consciência. Então, voltando para trás, com grande alegria, reencontrei os fradezinhos que estavam ali, como se — de um modo misterioso — estivessem justamente esperando por mim. Assim que entraram no carro, senti uma agradável sensação de serenidade, que me acompanhou durante toda a viagem. Chegamos, então, a uma área de serviço não muito longe de Rosarno, e nos despedimos.


Quando voltei para o carro, comecei a chorar intensamente. Ainda hoje não sei explicar como definir aquele choro. Sentia uma grande libertação; acredito que alguém estivesse curando a minha alma justamente naquele momento.


A partir daquele dia, não vi mais nem tive mais notícias dos fradezinhos até o mês de agosto de 2008, por ocasião do Encontro Nacional dos seus Grupos de Oração, que aconteceu em Isernia. Ali, enquanto me encontrava no Santuário de Castelpetroso, minha atenção foi atraída por uma jovem religiosa, serena e composta. Era a Irmã Verônica (a Madre Superiora que guia a nossa comunidade de Pequenas Irmãs).

E eis que, inexplicavelmente, pela segunda vez, me encontrei em lágrimas. Eu chorava e não podia deixar de sentir que alguém dentro de mim estivesse, mais uma vez, realizando uma cura na minha alma. Mas eu continuava sem entender por que isso acontecia comigo, e isso me perturbava, um pouco como Maria que, depois do anúncio, ficou perturbada e se perguntava qual seria o sentido daquilo (cf. Lc 1,29).


Passados os três dias do encontro, voltei para casa e retomei a minha vida de sempre: trabalho, estudos, saídas com os amigos, compromissos, viagens com o meu ex-namorado etc… Só que eu nunca me preocupava o suficiente em dedicar o devido tempo à “Aquele” que merece o lugar mais importante na escala de valores: o Senhor!

Passado o verão, continuei a frequentar os fradezinhos e, junto com a minha tia, decidi abrir um grupo de oração ADP-VV, continuando, porém, com a minha vida de sempre, até que aconteceu que, poucos dias antes do Natal, Frei Antônio me comunicou que, no dia 6 de janeiro, na Sicília, aconteceria o 1º Encontro Inter-regional Calábria-Sicília ADP-VV. Depois de inúmeras peripécias, decidi partir, e essa viagem me permitiu conhecer mais de perto Frei Volantino e o restante dos Pequenos VV.


O ENCONTRO COM FREI VOLANTINO


Tive a “graça” de conhecer Frei Volantino pessoalmente no dia 03/01/09. Hoje tenho a certeza de que o nosso encontro não aconteceu por acaso; pelo contrário, a mão poderosa de Deus se mobilizou diligentemente para que isso acontecesse... Antes de tudo, devo dizer que inicialmente recusei o convite de Frei Antônio, porque tinha outros planos para passar a Epifania. Eu poderia, de fato, ter ido com uma pessoa para a neve, para esquiar, mas preferi me organizar para passar as festas em Rimini com minha mãe. O Senhor permitiu, porém, que eu não fosse nem esquiar, nem para Rimini, pois está escrito: “O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor dirige os seus passos” (Pr 16,9). E então decidi participar do encontro. Parti com a intenção de ouvir a catequese de Frei Volantino (embora, no início, ele não me fosse muito simpático) e voltar para casa mais serena no Espírito, já que aquele período não estava sendo dos melhores, como muitas vezes me acontecia.


Cheguei a Caltanissetta três dias antes, e foi ali que o Senhor, de um modo totalmente providencial, me deu a grande oportunidade de fazer um fim de semana de experiência com a comunidade, para buscar a plena Vontade de Deus (cf. Cl 1,9) sobre mim. Digo “de um modo totalmente providencial” também pelo fato de que a comunidade se encontrava em retiro espiritual, durante o qual normalmente não se aceitam pessoas para fazer experiência, e muito menos se permite que façam experiência aqueles que ainda precisam discernir se devem se casar ou não. Mas, como está escrito: “Nada é impossível para Deus” (cf. Lc 1,37).


É preciso dizer que, no passado, apesar do meu trabalho interior, que não me permitia encontrar a plena paz que eu buscava, nunca (exceto uma vez) havia levado em consideração a possibilidade de me consagrar totalmente à vida religiosa, e muito menos imaginava que a minha tristeza dependesse de não “responder plenamente à Sua vontade”. Mais ainda, jamais teria imaginado que o Senhor tivesse sobre mim este projeto desde toda a eternidade, como de fato está escrito: “Eu — diz o Senhor — conheço os projetos que fiz a vosso respeito, projetos de paz e não de desventura, para vos conceder um futuro cheio de esperança” (Jr 29,11).


Naqueles dias de total afastamento do mundo e de suas distrações, comecei a fazer discernimento, sobretudo graças a Frei Volantino. Ao percorrer novamente com ele algumas etapas e acontecimentos do meu passado, descobri, com espanto e com uma certa segurança (espiritual-racional), que o Senhor já há algum tempo vinha falando comigo. Foi Deus quem, através das luminosas chaves de leitura deste humilde e extraordinário fradezinho — chaves que ele obteve ao preço da própria vida — abriu finalmente a porta do meu ser intelectual, para que eu compreendesse que o Senhor queria que eu O servisse de uma maneira diferente, embora eu ainda não soubesse exatamente como.


Por isso mesmo, Frei Volantino me aconselhou a fazer uma poderosa oração ao Senhor, pedindo-Lhe um sinal claro sobre se eu deveria me consagrar ou me casar.

Voltei para a clausura e me recolhi na pequena cela onde dormia. Assim que fiquei sozinha, comecei a chorar e, levantando os olhos para o céu, gritei no íntimo do meu coração, para que ninguém pudesse ouvir a minha oração, exatamente assim: “Senhor, por favor, agora que me trouxeste até aqui, diz-me o que queres de mim! Queres que eu me case, ou queres que eu entregue a minha vida totalmente a Ti? Mas se queres que eu me consagre a ti, dá-me este sinal e eu compreenderei..." O sinal que Lhe pedi foi este: "Senhor, tens de pôr as mãos na minha cabeça fisicamente, não sei como o farás, mas para que a minha mente se case com o meu coração, não te peço mais nada, mas com isto compreendo!".


Fiz mesmo esta oração de todo o coração (cf. Sl [85], 17), Eu fiz esta oração realmente de todo o coração (cf. Sl [85],17), e o Senhor não tardou em me dar o sinal que havia procurado. Foi impressionante a precisão com que Ele me respondeu.

Passou-se cerca de meia hora, quando me disseram que Frei Volantino queria falar comigo. Cheguei, com as pernas trêmulas, ao Cenáculo, onde todos nos reuníamos para rezar.


Assim que Frei Volantino me viu, com a mesma solicitude de um pai, perguntou-me: “Diga-me, você pediu ao Senhor o sinal que queria?”. E eu, em lágrimas, respondi-lhe: “Sim, pedi ao Senhor o sinal, e para me fazer compreender que devo dar-Lhe a minha vida, Ele precisa…”. Eu ainda nem havia começado a contar-lhe precisamente o que tinha pedido, quando Frei Volantino estendeu as mãos e as colocou sobre a minha cabeça. E senti um calor suave se espalhar a partir de suas mãos. Nós dois nos olhamos, estupefatos! Aquele dia eu jamais poderei esquecer! A partir daquele dia, compreendi que o Senhor se serviu, e ainda hoje se serve, deste Pequeno frade como “canal” de graça, para afirmar às pessoas que o Senhor está sempre vivo e pronto para responder aos nossos pedidos. Mas não somente isso: o Senhor, dando-me aquele sinal por meio de Frei Volantino, colocou em meu coração que, daquele momento em diante, eu poderia confiar no Seu servo, que — de certo modo, através do seu estilo de vida ardentemente evangélico — me abriria a porta do Paraíso.


Eis que finalmente decidi dizer o meu sim ao Senhor e, como prevê a Regra V.V., voltei no 2º fim de semana para continuar a experiência vocacional; depois, para os 15 dias de experiência; depois, para os 6 meses de experiência prolongada, e assim por diante…

Os sinais e as confirmações que recebo todos os dias são muitos para serem escritos todos (cf. Jo 20,30). Agora que o Senhor, por meio de Frei Volantino, me fez ver o caminho que devo percorrer, espero, com a Santa perseverança, cumprir plenamente toda a Sua Divina Vontade até o fim desta peregrinação terrena. Tudo para a Maior Glória de Deus e para a Salvação do maior número possível de almas.


Concluo agradecendo a Frei Volantino e à comunidade dos Pequenos V.V. por terem me acolhido amorosamente nesta singular comunidade, assumindo-me no canteiro do amor, para trabalhar full time para Jesus e Maria, e testemunhando sobretudo — como alguém disse — que:  NASCEMOS E MORREMOS PARA FAZER DUAS COISAS: ACREDITAR EM DEUS (cf. Hb 11,6) E FAZER gradualmente A SUA VONTADE (cf. Mt 7,21), quem a 30%, quem a 60% quem a 100% (cf. Mt 13,23). 100% (cf. Mt 13,2). Cada um, naturalmente, segundo o dom de Deus que tem no coração. Porque, sem o Senhor, como gosta de lembrar, de maneira simpática, o nosso iniciador…" ACABA TUDO DENTRO DE UM CAIXÃO". Mas nós estamos aqui para sair dele!


Portanto: Paz e Bem e votos de Feliz Imortalidade!!! (cf. Sb 2,22a).

Na Eternidade. Amém!


 Na Fé, Irmã Stella Maria Piccola

2009



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Atualmente, a Irmã Stella já conta com mais de 15 anos de vida em comunidade e exerce o serviço de Vice-Madre Geral.

 
 
 

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